Comércio de Campinas, otimista para o final de ano
Economia
Comércio amplia estoque em 8%
Lojistas de Campinas esperam aumento médio de 12% nas vendas nos últimos meses do ano

Vilma Gasques
DA AGÊNCIA ANHANGÜERA
vilma@rac.com.br
Nem a alta nas taxas de juros ou a crise internacional que abalaram o cenário econômico nos últimos dias reduzem o ânimo dos comerciantes em relação ao crescimento das vendas no final do ano. Os lojistas campineiros já começaram a fazer as compras pensando neste período de maior movimento no comércio e estão elevando os estoques em média de 7% a 8% se comparado com o mesmo período do ano passado. Os comerciantes esperam um aumento médio de 12% nas vendas nos últimos meses do ano sobre o que foi registrado no mesmo período de 2007. A estimativa é de que R$ 900 milhões sejam gastos nas lojas de Campinas no mês de dezembro.
Segundo previsão do Departamento de Economia da Associação Comercial e Industrial de Campinas (Acic), ainda não dá para saber quais serão as tendências das vendas natalinas, já que cada segmento é específico. “No caso das crianças, os lojistas já reforçaram os estoques, já que o Dia das Crianças neste mercado é o mais forte. E as compras já são feitas para abastecer as lojas em outubro e permanecem até dezembro”, diz Laerte Martins, economista da entidade. Ele explica que neste setor os estoques já estão formados, pois não é prudente esperar para comprar nas vésperas das datas comemorativas, porque significa risco de ficar sem mercadoria.
Martins destacou que historicamente os comerciantes já preparam seus estoques nesta época do ano para as compras natalinas. “No segmento de brinquedos os eletrônicos continuam em alta e como grande alternativa. Mas é claro que as empresas lançam diversos modelos e licenciados de acordo com os personagens dos desenhos animados, que fazem grande sucesso entre as crianças.”
O economista não acredita que as crises internacionais, como as sucessivas quedas nas bolsas de valores e pedido de concordata de bancos nos Estados Unidos, o que abala todo o mercado financeiro, devem provocar um grande impacto nas vendas. “Nossa economia não será afetada. Ou se isso acontecer, será com menor intensidade. Além disso, o consumidor aprendeu a comprar com prestações que cabem em seu bolso, independentemente da taxa de juros”, afirma.
Outro trunfo dos comerciantes é o aumento do poder de compra dos campineiros, especialmente para quem ganha um salário mínimo, que teve valorização acima da inflação nos últimos anos. “O que eu acho que pode acontecer é uma redução no prazo de vendas. A média hoje no comércio é de 18 vezes. Com uma taxa maior de juros, acho que a média ficará em 12 meses. Mas isso não tira o ânimo e o comércio já começa a trabalhar pensando no final do ano, especialmente porque os custos podem ficar maiores daqui para frente. E vale a estratégia de garantir preço e quantidade.”
É esta a estratégia adotada pelas Lojas Fredy, com unidade no Campinas Shopping. O gerente da loja, Leonardo Araújo, está ainda mais otimista que a média geral dos comerciantes. “Estamos nos programando para um final de ano muito bom, com crescimento nas vendas de até 15%. E a empresa está se abastecendo com este propósito. Os estoques já sendo formados na mesmo proporção de crescimento que esperamos nas vendas”, explica.
Araújo conta que a empresa faz uma programação para não correr riscos de ficar sem mercadorias nos meses de novembro e dezembro. “Temos de nos programar para chegar no final do ano desfalcados e comprar artigos, inclusive para as festas de comemoração do Natal e Ano Novo.”
As roupas da nova coleção devem chegar na loja já na próxima semana. “Há artigos para todos os gostos. Para as mulheres, muitas blusas e vestidos e bem coloridos. Já para os homens, que também compram muito, os estoques maiores são de camisetas e bermudas.”
Na rede de Lojas Seller, que possui cinco unidades em Campinas, o otimismo é sempre presente. O gerente de compras da rede, Márcio Augusto Leonardi, diz que as expectativas do comércio em geral são bastante positivas. Mas para o segmento de roupas e de cama, mesa e banho, como é o caso da Seller, pode ser que o crescimento seja menor, já que as compras serão pulverizadas com os concorrentes de bens semiduráveis e duráveis, como eletroeletrônicos e veículos.
Na estratégia da Seller está incluído também um certo risco de esperar para comprar, com a expectativa de que os preços sejam reduzidos. “O cliente está precisando destas situações e oportunidades. E nós estamos abertos também a boas oportunidades junto aos fornecedores.”
Acessórios
Para a proprietária da loja Lillika Bolsas e Acessórios, Lúcia de Fátima Lustosa Pinto, a expectativa é de um aumento de pelo menos 20% nas vendas neste final de ano. “E já estamos bem estocados para atender a essa demanda esperada”, diz.
O que deixa a comerciante confiante é o resultado das vendas registradas neste ano. “E isso vem ficando ainda melhor. Julho e agosto foram meses muito bons para as vendas. E setembro começou também muito bom.”
Empresa estima vender 1,8 mi de cestas natalinas
As empresas que trabalham na preparação do que outras empresas vão oferecer de presentes para clientes e funcionários também não perdem tempo e já estão com suas campanhas prontas. É o caso da Alcamp, empresa campineira no mercado de produção de cestas de alimentos e de Natal, que lança amanhã sua campanha para as vendas de cestas natalinas. De acordo com o proprietário da empresa, Paulo Frazão, a meta para este ano é de comercializar cerca de 1,8 milhão de cestas de Natal nestes próximos três meses, o que significa 30% a mais do que no ano passado. Para isso, a Alcamp montou uma estrutura de 15 mil metros quadrados e deverá inaugurar 12 lojas de varejo espalhadas entre Campinas, Jundiaí, Piracicaba, Limeira, Sorocaba e São Paulo. Entre as novidades para este ano estão as cestas infantis com o tema do desenho animado Shrek e que trazem até 17 itens pensados exclusivamente para as crianças. (VG/AAN)
Fonte: Jornal Correio Popular Campinas – 18/09/2008
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