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Para o Banco Central tudo serve para justificar a alta dos juros

A Federação do Comércio do Estado de São Paulo (Fecomercio) considera injustificável a continuidade do aperto monetário levado a cabo pelo Copom, com mais uma elevação expressiva da taxa Selic. “Vemos com preocupações que nem mesmo a rápida desaceleração de preços percebida nas últimas semanas foi capaz de sensibilizar os membros do Copom. Para o Banco Central tudo serve para justificar a alta dos juros, até mesmo a reversão dos preços de commodities internacionais”, diz Abram Szajman, presidente da entidade.

“No momento em que os preços começam a ceder, principalmente nos itens ligados à alimentação, parte dos argumentos que tentam justificar os juros altos é calcada, por incrível que pareça, no fato de que isso acontece como conseqüência da queda dos preços externos. Dizem que por se tratar de um fator exógeno, o Banco Central deve manter a vigilância. Ocorre que essa teoria não valia quando os índices se aceleraram”, analisa Szajman, acrescentando que entidades como a Fecomercio alertaram para a evidência de que o juro fixado aqui não afeta o preço do petróleo lá fora.  

“Por esse tipo de raciocínio quando os preços sobem, o ajuste tem que ser via juros, mesmo que as causas sejam externas. Quando as mesmas causas trazem o efeito inverso, o BC continua a enxergar apenas riscos internos. Na alta de preços, o problema é o aquecimento econômico. Pode-se resumir desta forma: na alta de preços, o BC tem que coibir pressões, e não vê efeito externo, e sim interno de aquecimento econômico. No recuo dos preços, o BC não vê efeitos internos, e sim os externos. Os argumentos são convenientemente (ou inconvenientemente) colocados para manter o ritmo de alta dos juros”.

“Entretanto, o prejuízo de se ter usado o remédio errado na dose errada será pago com a elevação da dívida pública, a continuidade da apreciação cambial, a desaceleração dos saldos comerciais externos e a elevação do déficit em transações correntes. E o cordeiro devorado pelo lobo será o crescimento econômico de 2009, que voltará a ser medíocre”, conclui Szajman.

TV Fecomercio
Assista à entrevista com o presidente da Fecomercio Abram Szajman sobre a alta dos juros (ver vídeo)

Fonte: Fecomercio (Federação do Comércio do Estado de São Paulo)

João Raimundo dos Santos  Neto
Coordenador Financeiro

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Website: sircesp

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