Literatura Infantil
Público recorde discute obra de Monteiro Lobato
Importância do escritor na literatura infantil reuniu 1,5 mil professores e pesquisadores em fórum realizado na Unicamp
Em tempos em que a garotada se diverte com best seller como Harry Potter e mangás, um escritor que morreu há 60 anos continua fazendo fãs e levando multidões aos centros acadêmicos. Ontem, cerca de 1,5 mil professores e pesquisadores se reuniram no terceiro encontro do ano do Fórum Permanente de Desafios do Magistério, maior público do evento desde que foi criado, em 2004. O motivo, como explicou o coordenador, Ezequiel Theodoro da Silva, é claro: Monteiro Lobato. “Além de ter multidões de fãs, o autor é a maior referência para a leitura na infância ainda nos nossos dias.”
Promovido pela Faculdade de Educação da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), Associação de Leitura do Brasil (ALB) e Rede Anhangüera de Comunicação (RAC), as palestras e mesas-redondas, no Centro de Convenções da Unicamp, revisitaram a narrativa lobatiana. “A conclusão a que se chega diante de uma análise dos livros de Lobato é que os processos utilizados por ele continuam criativos”, explicou a professora Regina Zilberman, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), uma das palestrantes.
Maior referência do País nos estudos de Lobato, a professora e pesquisadora Marisa Lajolo, da Unicamp e da Universidade Mackenzie, reforçou que o escritor fez releituras e adaptações de sua obra durante toda a sua vida. Sempre que uma nova edição seria lançada, havia alterações no discurso dos personagens e até no enredo. “Essa era uma tentativa de falar cada vez mais de perto com as crianças, de um jeito bem brasileiro”, afirmou. Pedrinho, personagem imortalizado no Sítio do Pica-pau Amarelo, por exemplo, aparece na primeira edição de O Saci com um sobrenome que nada tinha a ver com seu espírito aventureiro, Pixoxó, suprimido na segunda edição.
“Até na correspondência do autor percebe-se um Lobato muito preocupado em estimular a leitura. Sempre que escreve ao leitor, ele manda recados de Emília e do Visconde de Sabugosa, dando força ao imaginário infantil”, explicou. Marisa, junto com o professor João Luís Ceccantini, da Universidade Estadual Paulista (Unesp), são organizadores do livro Monteiro Lobato: Livro a Livro, lançado durante o fórum de ontem pela Editora da Unesp e que faz uma análise de todas as obras infantis do autor.
A importância de Lobato para a literatura infantil reside no fato de que o autor revolucionou as páginas escritas para as crianças. “Antes dele, os livros tinham uma linguagem rebuscada e histórias pouco envolventes, mais preocupadas com a moralização das crianças”, afirmou a professora Maria das Dores Soares Maziero, da Secretaria de Educação de Paulínia, participante de uma mesa-redonda.
Ela citou como exemplo o tratamento que Lobato direcionou à mitologia: para contar as histórias dos heróis gregos, ele transportou seus personagens à trama, como em O Minotauro. Na versão lobatiana, o monstro aprisiona Tia Anastácia em seu labirinto e Pedrinho, fazendo as vezes de Teseu, vai salvá-la. Como Emília já conhecia a história, ela vira Ariadne e dá ao garoto a linha que depois vai trazê-lo de volta. “Lobato fez uma descoberta básica com a qual, hoje, as editoras se identificam muito: a de que criança gosta de histórias de aventura”, afirmou Maria das Dores.
Fabiano Ormaneze
DA AGÊNCIA ANHANGÜERA
fabiano.ormaneze@rac.com.br
Biografia do Autor
Website: edson
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